“Cinco… Quarto… Três… Dois… Um… PAREM! Espera aí, aonde vocês pensam que vão? Plunct, Plact, Zum, não vai a lugar nenhum!” (Maluco, Carimbador)

Quando eu era criança, tinha uma fita K7 com a gravação desse especial do Balão Mágico e assistia a essa desgraça todos os dias. Sabia todas as falas de cor, cantava todas as músicas e viajava no visual diferente e fantasioso que o programa trazia.

Era um programa infantil, instrutivo e inovador. Marcou toda uma geração e demorará mais outras tantas pra cair no esquecimento.

Ontem, ao assistir à estreia de Meu Pedacinho de Chão, senti todo esse gostinho de infância outra vez na minha boca.

Ouvi falarem de Mágico de Oz, Alice no País das Maravilhas, Sítio do Pica Pau Amarelo. Eu digo que são todas essas coisas juntas, cada espectador que tenha suas referências de infância.

O Pedacinho de Chão da minha infância é e sempre será Raulzito e seu Carimbador Maluco.

O impacto visual que o espetáculo propôs a nos trazer é o carro chefe, ou no caso da novela, a locomotiva chefe, de toda uma trama social e cheia de fantasias infantis. Mas a coisa vai muito além das cores impressionistas pintadas na aquarela da nossa TV.

O experiente e habilidosíssimo Benedito Ruy Barbosa trouxe um pouco de sua marca, fazendo renascer um rei do gado em meio ao pantanal visual do seu pedacinho de chão.

O autor transportou seus coronéis e tramas de sertão para um mundo de fantasias, fazendo dessa ousada novela uma obra atual e atemporal ao mesmo tempo. É quase como se o Paulo Barros assumisse a direção de arte de Sinhá Moça. Não se engane com as cores, a temática continua monocromática: Problemas sociais e disputa pelo poder.

E digo isso, porque ela tem toda cara de ser uma “novela exportação”. Que cabe em qualquer realidade, em qualquer época, sem precisar se prender à cultura local de onde ela for exibida.

Nem é preciso ser o IPEA pra fazer uma pesquisa e descobrir que o folhetim de maior sucesso recente foi Avenida Brasil. Mas será que uma novela tão realista, tão algemada à cultura e temporalidade brasileira atual, venderia tanto para lugares com realidades diferentes da nossa?

Meu Pedacinho de Chão, sim! O mesmo aconteceu com Cordel Encantado e Lado a Lado. Novelas atemporais e com produção de cinema, feitas pra serem vendidas mundo afora.

Até a trilha sonora escolhida, com a belíssima música “The Winer Is”, tema do filme Little Miss Sunshine, marca um ar de internacionalização da novelinha brazuca. Se no filme tínhamos a aventura de uma Kombi colorida encantando toda a cidade, na novela marcou a chegada de uma locomotiva encantada na cidade colorida.

Não basta agradar ao público tupiniquim, se uma novela quiser viajar mundo afora, tem que ser selada, registrada, carimbada, avaliada, rotulada, se quiser voar! Afinal, pra Lua a taxa é alta, pro Sol a identidade, então vá já pra sua locomotiva viajar pelo universo, pois essa novela já tem o meu carimbo de sim, sim, sim, sim!

  • Se Plunct, Plact, Zum não vai a lugar nenhum, Meu Pedacinho de Chão vai muito longe e tem todo o mundo aos seus coloridos pés.